terça-feira, 11 de setembro de 2012

Educação em Agroecologia


Existe um longo caminho de construção do enfoque agroecológico no ensino das Ciências Agrárias. 

Desde 1993, diversos pesquisadores, educadores, educandos e representantes de Movimentos Sociais discutiam a possibilidade de inserção da Agroecologia nos Cursos de Agronomia na America Latina (CLADES, 1993). Neste período, a Agroecologia havia ganhado força nos movimentos de contestação da chamada modernização da agricultura, porém era bastante marginal nas Instituições públicas de ensino (SOUSA, 2011). Porém atualmente o cenário é bastante diferente, fruto especialmente de experiências iniciadas no final dos anos 90 a partir dos Movimentos sociais do campo, grupos de educadores, pesquisadores e estudantes em diversas Instituições de ensino e organizações da sociedade civil organizada.

Atualmente existem 30 cursos de ensino médio profissionalizante em Agroecologia, somente nos Institutos Federais e 18 Cursos Superiores de Agroecologia com registro na CAPES (SOUSA, 2011). No entanto, há uma grande diversidade da expressão do enfoque agroecológico nas instituições de ensino no Brasil. Dados do Censo 2010 do CNPq demonstram que existem 90 grupos de pesquisa cadastrados na Plataforma de Grupos de Pesquisa onde o nome do grupo ou linha de pesquisa possui a palavra Agroecologia. São mais de 70 Núcleos de Pesquisa em Agroecologia formalizados a partir de editais da Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção. Isto sem falar em cursos que possuem disciplinas, pesquisas, núcleos e grupos sem financiamento. Diversas iniciativas autônomas de movimentos sociais em diferentes níveis de ensino também vêm sendo realizadas a partir do enfoque Agroecológico. Ou seja, a Educação em Agroecologia nasce a partir da pluralidade, diversidade e enraizada no contexto territorial.

O tema Educação em Agroecologia vem sendo discutido pela ABA em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia desde 2005, por ocasião dos seminários sobre a construção do conhecimento agroecológico. Foram realizados três Seminários Nacionais sobre a Construção do Conhecimento Agroecológico (Belo Horizonte, 2005; Guarapari, 2007; e Curitiba, 2009), sempre pautando a necessidade de se repensar os enfoques teóricos - metodológicos de construção do conhecimento, na pesquisa, no ensino e na extensão. 

Ao mesmo tempo a ABA, procurando contribuir para a formulação de políticas públicas neste campo, participou do I e II Fóruns Nacionais de Educação em Agroecologia organizados pela Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção, nos anos de 2007 e 2009.

Em 2011, durante o VII Congresso Brasileiro de Agroecologia realizado em Fortaleza, a ABA organizou o Seminário “Educação Formal em Agroecologia” que apontou para a necessidade de se estabelecer um contato mais próximo entre os cursos e experiências em Educação em Agroecologia, como também de aprofundar o debate sobre os princípios e diretrizes que deveriam nortear as ações em Educação em Agroecologia. Neste evento se consolidou o Grupo de Trabalho Educação em Agroecologia da ABA, formado por associados da instituição de várias regiões brasileiras.

Ainda não há consenso sobre como deveria ser a formação em Agroecologia. Quais os conteúdos mínimos? Como se articulam as disciplinas de um currículo? Qual o perfil esperado do profissional egresso dos cursos de Agroecologia? Quais as metodologias de ensino-aprendizagem que deveriam ser adotadas numa formação em Agroecologia? Neste sentido, entende-se que o papel da Associação é justamente promover o debate e favorecer o diálogo entre as diversas iniciativas em curso no país e construir uma reflexão coletiva sobre os princípios e diretrizes da educação em Agroecologia no Brasil.

Diante destas informações, torna-se cada vez mais necessário o aprofundamento do debate sobre os princípios e diretrizes do enfoque agroecológico na formação de profissionais capazes de enfrentar os desafios da construção de uma educação emancipatória, interdisciplinar e com base no paradigma da sustentabilidade.

O presente projeto visa a realização do I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia buscando proporcionar um espaço para a reflexão dos sujeitos que atuam em experiências concretas de educação formal e não-formal em Agroecologia e facilitar processos de aprendizagem e troca de experiências sobre o tema. O evento será realizado em Brasília-DF no Instituto Federal de Brasília – Campus Planaltina, que será a instituição realizadora do Seminário, no período de 04 a 06 de dezembro de 2012.

fonte: Projeto do I SNEA.

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