terça-feira, 11 de setembro de 2012

I SNEA


RESUMO

A Associação Brasileira de Agroecologia realizará o I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia com o objetivo de propor os princípios e diretrizes para a Educação em Agroecologia no Brasil.

O evento ora apresentado será realizado no período de 04 a 06 de Dezembro de 2012, em Planaltina/DF, onde se espera reunir 200 participantes que atuam na Educação em agroecologia.

A programação do evento constará de uma conferência sobre a construção do conhecimento agroecológico, duas mesas redondas, sobre temas como: áreas do conhecimento que fazem o diálogo com a Agroecologia; formação e perfil profissional em Agroecologia. 

Também serão realizados Grupos Temáticos e Grupos de Trabalho com o objetivo de discutir experiências concretas de Educação e propor princípios e diretrizes para a Educação em Agroecologia. 

OBJETIVOS

- Propor princípios e diretrizes para a educação em Agroecologia no Brasil
- Promover a troca de experiências sobre Educação em Agroecologia

Local do Seminário


O I SNEA acontecerá no Campus Planaltina do Instituto Federal de Brasília.
ENDEREÇO: Rodovia DF-128, Km 21, Zona Rural de Planaltina, 

Planaltina/DF - CEP 73380-900 

O acesso principal para o campus Planaltina é pela BR 020, no km 18 para quem vem de Sobradinho para Planaltina, seguindo por 3,5 km na DF 230 até o balão, vire a direita e siga mais 2,5 km na DF 128 até a entrada do campus.

 


Existem outras opções de acesso ao campusVerifique a melhor opção de caminho no link do Google Mapas: 

Paranoá - IFB
http://goo.gl/maps/LCT8

Asa Norte - Sobradinho -  IFB
http://goo.gl/maps/ncUL

Planaltina DF - IFB
http://goo.gl/maps/njG1

Planaltina de Goiás - IFB
http://goo.gl/maps/RqLQ

Formosa GO - IFB
http://goo.gl/maps/9lMZ

Cristalina GO - IFB
http://goo.gl/maps/Zpb8

Unaí MG - IFB
http://goo.gl/maps/uG2o


A Agroecologia no Instituto Federal de Brasília - Campus Planaltina

O Instituto Federal de Brasília foi criado em 2008 a partir da política de expansão da Rede Federal de Educação Profissional iniciada em 2006. No entanto, o Campus Planaltina abrigou a antiga Escola Agrícola de Brasília desde 1959. O Campus Planaltina oferece cursos técnicos em Agropecuária e Agroindústria nas modalidades integrada ao segundo grau e pós-médio, e o curso superior de tecnologia em Agroecologia.

O caminho que levou o Campus Planaltina à Agroecologia é muito antigo e, diversas iniciativas em parceria com outras instituições tiveram importante contribuição. A primeira delas data de 1982, quando foi instalado um ensaio de recuperação biológica do solo em uma área totalmente degradada do Colégio Agrícola de Brasília. Já em 1999, o Componente Curricular Agroecologia começou a fazer parte da Matriz Curricular do Curso Técnico em Agropecuária.  Em 2007 foi realizada no Colégio Agrícola de Brasília a Semana de Agroecologia com a participação da EMATER-DF, EMBRAPA-CERRADOS e EMBRAPA-HORTALIÇAS.

Com a transformação do antigo Colégio Agrícola de Brasília em Escola Técnica Federal de Brasília, em 2008, e a chegada de novos docentes e técnicos foram iniciados a revisão dos currículos e o debate sobre os futuros cursos a serem oferecidos pela instituição, e foi criado um grupo de trabalho e estudos em agroecologia, com o objetivo de fortalecer o espaço de construção do conhecimento agroecológico. Ainda nesse ano, foi realizado o evento “Rumos da Unidade Agrotécnica de Planaltina”, com a participação de sindicatos de agricultores, movimentos sociais do campo e instituições de ensino-pesquisa-extensão agropecuária. Este evento reforçou a necessidade da criação de um centro de referência e a possibilidade de criação do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia, com a missão de promover a educação, a pesquisa e a extensão em Agroecologia, com focos no Bioma Cerrado e na Agricultura Familiar.

O primeiro vestibular aconteceu em novembro de 2009, e no mês de março de 2010 ingressou a primeira turma. Desde então se tem discutido a forma de ingresso de modo a possibilitar a inclusão de estudantes oriundos de assentamentos e filhos de agricultores familiares. Atualmente, funcionam cinco turmas, totalizando 200 discentes.

O Campus possui uma área de 1700 hectares, a maior parte composta por Cerrado preservado. Várias iniciativas se encontram em desenvolvimento, como o projeto “Agroecologia: um enfoque participativo no ensino e na extensão” que busca aproximar os cursos de Agroecologia à realidade dos agricultores familiares, o projeto “Inovação e Extensão Tecnológica - Produção de Fitoterápicos”, concebido em parceria com o Centro de Medicina Alternativa (CEMA) do Hospital Regional de Planaltina (HRP) e financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; e o projeto “Tecnologias Sociais”, que conta com financiamento do Banco do Brasil e tem como objetivo estudar, avaliar e fortalecer as tecnologias sociais existentes, utilizar estas tecnologias como temas de reflexões no curso de Agroecologia, ministrar cursos utilizando as estruturas destas tecnologias sociais dialogando com as necessidades dos agricultores.

O Campus Planaltina possui parcerias com a EMATER-DF, EMBRAPA-CERRADOS, Campus Planaltina da UnB e Hospital Regional de Planaltina e tem intenção de ampliar parcerias com a EMBRAPA-CENARGEM, EMBRAPA-HORTALIÇAS, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério da Agricultura dentre outros.

A partir de Abril de 2011 o Campus Planaltina em parceria com a Escola Família Agrícola de Padre Bernardo, GO, iniciou o Curso de Técnico em Agropecuária com ênfase em Agroecologia. O projeto, desenvolvido em parceria com o INCRA por meio do PRONERA, tem como base os princípios da Educação do Campo, funciona em regime de alternância e abrange 16 assentamentos rurais da região do DF e entorno.

Em dezembro de 2011 houve participação massiva dos estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia e do Curso de Técnico em Agropecuária com ênfase em Agroecologia no VII Congresso Brasileiro de Agroecologia. Durante o III Fórum de Educação de Agroecologia, no qual servidores e estudantes dos cursos citados participaram, foi assumido o compromisso de sediar em Brasília, no ano de 2012, o I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia.

Educação em Agroecologia


Existe um longo caminho de construção do enfoque agroecológico no ensino das Ciências Agrárias. 

Desde 1993, diversos pesquisadores, educadores, educandos e representantes de Movimentos Sociais discutiam a possibilidade de inserção da Agroecologia nos Cursos de Agronomia na America Latina (CLADES, 1993). Neste período, a Agroecologia havia ganhado força nos movimentos de contestação da chamada modernização da agricultura, porém era bastante marginal nas Instituições públicas de ensino (SOUSA, 2011). Porém atualmente o cenário é bastante diferente, fruto especialmente de experiências iniciadas no final dos anos 90 a partir dos Movimentos sociais do campo, grupos de educadores, pesquisadores e estudantes em diversas Instituições de ensino e organizações da sociedade civil organizada.

Atualmente existem 30 cursos de ensino médio profissionalizante em Agroecologia, somente nos Institutos Federais e 18 Cursos Superiores de Agroecologia com registro na CAPES (SOUSA, 2011). No entanto, há uma grande diversidade da expressão do enfoque agroecológico nas instituições de ensino no Brasil. Dados do Censo 2010 do CNPq demonstram que existem 90 grupos de pesquisa cadastrados na Plataforma de Grupos de Pesquisa onde o nome do grupo ou linha de pesquisa possui a palavra Agroecologia. São mais de 70 Núcleos de Pesquisa em Agroecologia formalizados a partir de editais da Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção. Isto sem falar em cursos que possuem disciplinas, pesquisas, núcleos e grupos sem financiamento. Diversas iniciativas autônomas de movimentos sociais em diferentes níveis de ensino também vêm sendo realizadas a partir do enfoque Agroecológico. Ou seja, a Educação em Agroecologia nasce a partir da pluralidade, diversidade e enraizada no contexto territorial.

O tema Educação em Agroecologia vem sendo discutido pela ABA em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia desde 2005, por ocasião dos seminários sobre a construção do conhecimento agroecológico. Foram realizados três Seminários Nacionais sobre a Construção do Conhecimento Agroecológico (Belo Horizonte, 2005; Guarapari, 2007; e Curitiba, 2009), sempre pautando a necessidade de se repensar os enfoques teóricos - metodológicos de construção do conhecimento, na pesquisa, no ensino e na extensão. 

Ao mesmo tempo a ABA, procurando contribuir para a formulação de políticas públicas neste campo, participou do I e II Fóruns Nacionais de Educação em Agroecologia organizados pela Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção, nos anos de 2007 e 2009.

Em 2011, durante o VII Congresso Brasileiro de Agroecologia realizado em Fortaleza, a ABA organizou o Seminário “Educação Formal em Agroecologia” que apontou para a necessidade de se estabelecer um contato mais próximo entre os cursos e experiências em Educação em Agroecologia, como também de aprofundar o debate sobre os princípios e diretrizes que deveriam nortear as ações em Educação em Agroecologia. Neste evento se consolidou o Grupo de Trabalho Educação em Agroecologia da ABA, formado por associados da instituição de várias regiões brasileiras.

Ainda não há consenso sobre como deveria ser a formação em Agroecologia. Quais os conteúdos mínimos? Como se articulam as disciplinas de um currículo? Qual o perfil esperado do profissional egresso dos cursos de Agroecologia? Quais as metodologias de ensino-aprendizagem que deveriam ser adotadas numa formação em Agroecologia? Neste sentido, entende-se que o papel da Associação é justamente promover o debate e favorecer o diálogo entre as diversas iniciativas em curso no país e construir uma reflexão coletiva sobre os princípios e diretrizes da educação em Agroecologia no Brasil.

Diante destas informações, torna-se cada vez mais necessário o aprofundamento do debate sobre os princípios e diretrizes do enfoque agroecológico na formação de profissionais capazes de enfrentar os desafios da construção de uma educação emancipatória, interdisciplinar e com base no paradigma da sustentabilidade.

O presente projeto visa a realização do I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia buscando proporcionar um espaço para a reflexão dos sujeitos que atuam em experiências concretas de educação formal e não-formal em Agroecologia e facilitar processos de aprendizagem e troca de experiências sobre o tema. O evento será realizado em Brasília-DF no Instituto Federal de Brasília – Campus Planaltina, que será a instituição realizadora do Seminário, no período de 04 a 06 de dezembro de 2012.

fonte: Projeto do I SNEA.

Conjuntura


Introdução

“A consciência ecológica levanta-nos um problema duma profundidade e duma vastidão extraordinárias. Temos de defrontar ao mesmo tempo o problema da vida no planeta terra, o problema da sociedade moderna e o problema do destino do homem. Isto nos obriga a repor em questão a própria orientação da civilização ocidental. Na aurora do terceiro milênio, é preciso compreender que revolucionar, desenvolver, inventar, sobreviver, viver, morrer, anda tudo inseparavelmente ligado”.
Edgar Morin, apud LAGO & PADUA, 1984, p. 6.

Ninguém mais tem dúvida de que estamos vivendo em um mundo incerto, complexo e plural. Mas cheio de contradições, paradoxos e injustiças com problemas e necessidades de toda ordem (MORAES e NAVAS, 2010). São problemas sociais e ambientais, em especial, sem precedentes na história que anunciam uma crise civilizatória ou planetária (MORIN, 2000). Não obstante, por trás dessa crise ainda persiste a crença de que, com a contínua inovação tecnológica, a civilização caminha inexoravelmente para superar os limites naturais que impediram a expansão do progresso humano no decorrer da história (PETERSEN et al., 2009). Mas a gravidade disso reside, contudo, no fato de que o modo de vida e o paradigma civilizatório que o sustenta continua pondo em risco a própria sobrevivência da espécie humana.
Do ponto de vista filosófico esse aparente frisson para com a inovação tecnológica é herança da concepção positivista de ciência que em nome da ‘neutralidade’ e da ‘verdade científica’ vem dando sustentação teórica ao paradigma dominante, e que sempre esteve a serviço do capital, a exemplo do que ocorreu com a modernização da agricultura, via revolução verde, em que a tecnologia não passou de mera mercadoria. Ademais, essa concepção de ciência é excludente, pois reconhece como válido somente o conhecimento científico, transformado em ideologia e mecanismo de dominação (GOMES, 1999). Portanto, a superação dessa crise pressupõe uma radical mudança na maneira de pensar, gerar e aplicar ciência e tecnologia (TOLEDO, 2012). E se por um lado a ciência moderna é dominante, por outro lado, não é única, pois não há uma só ciência, mas muitas formas de conceber e fazer ciência e produzir tecnologia.
A Agroecologia surgiu como ciência recentemente, embora como prática seja tão antiga quanto à própria agricultura. Trata-se de um campo do conhecimento que nasce do diálogo entre o conhecimento científico e os saberes populares ou endógenos. A Agroecologia, ao traçar caminho próprio, distanciou-se do engessamento disciplinar e linear e buscou fundamentação na interface com outras áreas do conhecimento (agronomia, ecologia, sociologia, antropologia, educação, economia, comunicação, física, história, etc.) para fundar sua própria matriz teórica. Segundo Gomes (1999), a Agroecologia ainda não pode ser considerada como um novo paradigma, como algo puro e acabado, que represente uma ruptura e que oriente a produção e circulação do conhecimento na agricultura. Isso poderá vir a ocorrer, mas depende de esforço intelectual, prática política, ajustes institucionais, entre outras coisas. “A Agroecologia é entendida como um enfoque científico destinado a apoiar a transição dos atuais modelos de desenvolvimento rural e de agricultura convencionais para estilos de desenvolvimento rural e de agriculturas sustentáveis” (CAPORAL e COSTABEBER, 2000). O enfoque agroecológico pode ser definido como “a aplicação dos princípios e conceitos da ecologia no manejo e desenho de agroecossistemas sustentáveis” (GLIESSMAN, 2000). A Agroecologia também tem sido entendida como um campo de conhecimento transdisciplinar que oferece os princípios teóricos e metodológicos básicos para possibilitar o desenho, redesenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis e, além disso, contribuir para a conservação da agrobiodiversidade,  da biodiversidade e da diversidade sociocultural.
Segundo Toledo (2012) encontra-se em curso na América Latina e Caribe um tríplice processo de transformação desencadeado pelo campo agroecológico: i) cognitivo, epistêmico ou científico; ii) prático ou tecnológico e iii) social e/ou político. Não se sabe ao certo se é o conhecimento que provoca as mudanças tecnológicas e sociais ou se são os movimentos sociais e políticos que induzem a um salto epistêmico e tecnológico ou, ainda, se é um complexo de sinergias e reciprocidades resultantes de uma atuação conjunta.  O que se sabe é que implica um mesmo processo que articula essas três dimensões que operam de forma articulada promovendo mudanças substanciais nas sociedades latinoamericanas.
Gomes (1999) anunciou uma epistemologia para a Agroecologia, consubstanciada no pluralismo metodológico: pluralidade de contextos e soluções para a produção e circulação do conhecimento; abertura aos conhecimentos tradicionais como válidos; implicação do contexto social e suas demandas na produção e circulação do conhecimento e combinação de técnicas de pesquisa variadas, quantitativas e qualitativas, numa perspectiva interdisciplinar. A esse pluralismo poderia ser atribuído a idéia-força da convivência e relação entre o ser humano e a natureza, trazendo a ciência para este mundo em que as coisas acontecem: o mundo da vida, das mulheres e dos homens. Nessa perspectiva o pluralismo resulta numa ciência mais humanista, democrática, dialógica e inclusiva. Mas é necessário adotar não só ações de tipo interdisciplinares ou transdisciplinares como também promover o diálogo de saberes, articulando os conhecimentos científico e tradicionais. Ou seja, é preciso superar a concepção de ciência como fonte única do conhecimento válido.
Antes, porém, de adentrar naquilo que poderíamos denominar de Educação em Agroecologia é necessário reconhecer que a educação, em geral, também foi vitimada pelo reducionismo da ciência moderna que priorizou a fragmentação, a compartimentação e a especialização do conhecimento com predominância do ensino puramente disciplinar (MORIN, 2000). Imaginava-se que para melhor estudar os fenômenos e os fatos era necessário dividí-los em partes tantas vezes quanto fosse possível para compreender a sua totalidade. Isso como se sabe não foi possível, pois a soma das partes é maior ou menor do que o todo, dependendo das propriedades emergentes resultantes das suas interações. Eis aí o princípio da fragmentação e os problemas dela decorrentes: o conhecimento disciplinar não dá conta de explicar a contento os fenômenos complexos da atualidade.

A ciência moderna, ao produzir um conhecimento disciplinar segregou a organização do saber na medida em que foi orientada para policiar as fronteiras entre as disciplinas, reprimindo as iniciativas interessadas em transpô-las. A fragmentação do conhecimento é prática corrente na maioria dos cursos, em especial, nas Ciências Agrárias. Ademais, os projetos político-pedagógicos desses cursos apresentam um enfoque tecnicista, em detrimento de uma formação mais integradora e sistêmica (SARANDÓN, 2002). A própria reformulação dos projetos político-pedagógicos, quando ocorre, se materializa na simples inclusão e exclusão (geralmente das disciplinas da área da sócio-economia) de disciplinas ou de conteúdos, ou quando muito na alteração da carga horária do curso e das disciplinas.

Essa marca da fragmentação persiste ao longo do processo formativo e se prolonga no exercício profissional. Fato é que a maior dificuldade (dentre tantas outras) dos profissionais em Ciências Agrárias recém-formados ao se depararem com situações complexas e diversas como o universo da agricultura familiar é, em grande medida, a incapacidade para relacionar os conhecimentos vistos isoladamente nas disciplinas. Mas esse, talvez, não seja um fenômeno que acomete somente os educandos, pois os educadores também passaram pelo mesmo processo de formação e com um agravante: vitimas da hiperespecialização apenas repetem o que aprenderam com seus mestres, dando a idéia de um ciclo vicioso e sem fim. 
Isso remete para a necessidade de uma ruptura epistemológica com o paradigma educacional vigente, a luz de um pensamento crítico sobre os pressupostos teóricos que o orientam, para uma (re)elaboração da prática docente, que exige sobretudo outras estratégias, posturas e atitudes pedagógicas diante de práticas de ensino insuficientes para uma compreensão significativa do conhecimento e que comprometem a aprendizagem. Mais do isso tornou-se imperativo experimentar novas maneiras de se tratar e trabalhar o conhecimento que rompam com as fronteiras das disciplinas de modo que novos arranjos e combinações dos conteúdos sejam vivenciados em nome de uma formação mais integradora, holística e emancipadora.

É nesse cenário que nasce a Educação em Agroecologia. 

Metodologia do Seminário



O I Seminário Nacional de Educação em Agroecologia terá o objetivo de discutir princípios e diretrizes da Educação em Agroecologia por meio do diálogo de saberes entre os atores que atuam em experiências neste campo.  Para atender a esse objetivo o Seminário contará com uma conferência, duas mesas redondas, sete Grupos Temáticos, e a Plenária Final. O seminário será composto de diferentes momentos de discussão, a saber:

a) Momento 1:  Conferência
Objetivo: Analisar o acúmulo da construção do conhecimento agroecológico no Brasil e suas perspectivas futuras.

b) Momento 2:  Mesas redondas
Serão realizadas duas mesas redondas:

1) Mesa redonda 1 - Complexidade, transdisciplinaridade e epistemologia na Agroecologia.
Objetivo: Aproximar a Agroecologia de outros campos do conhecimento (pedagogia, educação, educação do campo, filosofia da ciência, etc), bem como avaliar suas possíveis interfaces.

2) Formação e perfil profissional em Agroecologia e as demandas da sociedade brasileira  
Objetivo: Trazer a tona a importância da formação em agroecologia no atual contexto brasileiro e analisar o processo de inserção da Agroecologia nas instituições de ensino com criação de cursos, núcleos, grupos de pesquisa e extensão, disciplinas, etc. bem como discutir os avanços e dificuldades dessas iniciativas à luz de experiências concretas. Também se pretende propiciar um espaço de diálogo com movimentos sociais e ONGs acerca da formação e perfil dos profissionais que estão sendo demandados.  

c) Momento 3: Grupos de Temáticos
Objetivo: Serão montados oito grupos de trabalho que terão como objetivo refletir, avaliar e indicar pistas e sugestões teórico-metodológicas e práticas para a temática do grupo, nos diferentes níveis de formação e Agroecologia. Cada Grupo de Trabalho, terá um coordenador/facilitador, bem como uma dupla de sistematização que contribuirá no processo de síntese do trabalho realizado pelo grupo.

Será elaborado um termo de referência para seleção das experiências participantes dos grupos de trabalho.
Todas as experiências apresentadas deverão subsidiar os debates, a troca de experiências entre os atores e instituições. Espera-se ter como produto do seminário um mapa com a riqueza de iniciativas de educação em Agroecologia em todo o país, dando visibilidade a estas iniciativas. Será produzido um CD com o documento orientador do Seminário e os artigos apresentados.
Cada GT contará com facilitadores para coordenar as atividades e sistematizar os debates realizados.
Cada grupo de trabalho trabalhará um total de 8 horas (uma tarde e uma manhã), e deverão possuir a seguinte dinâmica:

GT – Momento 1
14h 14:15
Orientações metodológicas para o trabalho de grupo e escolha de 4 relatores que a sistematização das apresentações do debate a partir de quatro questões orientadoras:
1)                 Que acúmulos teóricos-metodológicos e práticos temos sobre a temática ?
2)                 Que avanços as experiências apresentadas e a nossa própria experiência podem indicar sobre a temática ?
3)                 Que limites ou dificuldades as experiências apresentadas e a nossa própria experiência podem indicar sobre a temática ?
4)                 Que indicadores/sugestões/pistas o grupo indica para o aprofundamento da discussão sobre a temática do grupo para o “pós-seminário”?
14:15-15:15
O coordenador fará uma síntese dos artigos / experiências selecionados para o grupo e uma reflexão a partir de sua própria experiência na temática do GT para subsidiar o discussão em torno das questões orientadoras.
15:15-
Debate com todos os participantes do grupo estimulado pelo coordenador à luz das questões orientadoras. Poderiam se definir tempos para cada uma das questões, por exemplo:
- Tempo para questões livres, de esclarecimento ou duvidas (15’)
- Tempo para a questão orientadora 1 (30’)
- Tempo para a questão orientadora 2 (30’)
- Tempo para a questão orientadora 3 (30’)
- Tempo para a questão orientadora 4 (30’)
17:30
Apresentação das sistematizações realizadas pelos 4 relatores

GT – Momento 2

08:00-9:00
A partir da sistematização apresentada no dia anterior, aprofundar o debate em torno das mesmas, buscando ampliá-la. O resultado deste trabalho servirá para construir uma espécie de análise de conjuntura e de “estado da arte” da temática no que se refere à educação em Agroecologia. 
9:00-09:15
Rápida leitura do documento orientador sobre o que estamos entendendo por princípios e diretrizes da educação em Agroecologia.
09:15 – 12:00
Construção de princípios e diretrizes da educação em Agroecologia, em relação à temática do grupo

Temáticas dos GTs:

1) Fundamentos da Educação em Agroecologia
Ementa: Neste grupo discutiremos os fundamentos que alicerçam o processo educativo em Agroecologia, indicando valores, princípios, elementos teóricos relacionados às diferentes ciências que dialogam com a Agroecologia.

2) Metodologias de educação em Agroecologia
Ementa: Neste grupo, amadureceremos o percurso metodológico necessário para a formação em Agroecologia buscando aprofundar em como as diversas iniciativas vêm construindo metodologicamente a formação. Que princípios norteiam os aspectos metodológicos? Participação, relação com o território, etc. Entende-se que a discussão metodológica se dá em dois níveis. Num primeiro, destacam-se os princípios que devem estar presentes nos processos educativos em agroecologia e num segundo, destacam-se os processos metodológicos (ferramentas e instrumentos) necessários à atuação do profissional na área.

3) Currículo dos cursos de agroecologia
Ementa: Neste grupo, discutiremos os aspectos inerentes à composição curricular mínima (inclusive a matriz curricular) à Educação em Agroecologia. Neste sentido, destacam-se a organização de conteúdos, a organização de estágios de vivências e outras atividades que possam ancorar na prática a formação, a pedagogia da alternância, a relação com movimentos sociais e políticas públicas, as relações entre ensino, pesquisa e extensão, bem como os trabalhos de conclusão de curso.

4) Formas de acesso, perfil de ingresso, perfil do profissional
Ementa: Neste grupo estaríamos discutindo as formas de acesso para os diferentes níveis de ensino, o perfil de ingresso e o que pretendemos, nos diferentes níveis, com a formação de profissionais em Agroecologia. É preciso aprofundar nas habilidades necessárias aos profissionais de nível médio, superior e pós-graduados egressos dos cursos de Agroecologia em seus diferentes níveis. 

5) Perfil e formação continuada dos professores
Ementa: Neste grupo, o sentido é de aprofundar os elementos necessários ao estabelecimento de um perfil mínimo dos professores que atuam nos cursos em seus diferentes níveis. Além disso, como pensar no processo de educação continuada destes professores para que possam efetivamente atuar na perspectiva multidimensional da Agroecologia ?

6) Núcleos e Grupos de Agroecologia
Ementa: Neste grupo, estaríamos aprofundando o debate sobre as relações entre ensino, pesquisa, extensão através do trabalho de grupos e núcleos de em Agroecologia. Em que medida se relacionam com os diferentes níveis de ensino ? Que elementos indicam um diferencial nestes grupos tanto em termos teóricos quanto metodológicos ? Que elementos da prática e da relação com os movimentos sociais devem ser incorporados ? Como estes grupos podem contribuir para ações de intervenção social em comunidades rurais, para além dos muros das Instituições de ensino?

7) Reconhecimento dos cursos e do profissional
Ementa: O debate sobre o reconhecimento do profissional formado em agroecologia é fundamental. Que espaço este profissional estará ocupando na sociedade ? Reconhecimento da profissão por órgão de classe já existente ou criação de próprio conselho para regulamentar a profissão? Que que indicadores devem ser levados em consideração para o reconhecimento dos cursos de agroecologia pelo MEC? .

8) Pós-graduação em Agroecologia
Ementa: Que elementos são fundamentais à formação do pós-graduado em agroecologia ? Que princípios e diretrizes orientam esta formação ? O que diferencia a pós-graduação em Agroecologia das demais formações de pós-graduação em ciências agrárias?

d) Momento 4: Plenária
Objetivo: Apresentar, debate e sistematizar as propostas sobre os princípios e diretrizes da Educação em Agroecologia

e) Momento 5: Reunião dos associados da ABA
Objetivo: Deliberar sobre a data e o local do próximo Encontro de Educação em Agroecologia e a composição do GT de Educação em Agroecologia.

Programação


Programação preliminar do Seminário



1º Dia – 04/12/2012

8:30 -10:00 – Inscrições
10:00 -11:00 - Abertura Oficial
Ministro da Educação
Ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento
Ministro do Desenvolvimento Agrário
Ministro do Meio Ambiente
Reitor do IFB
Representante da CAPES
Representante do CNPq
Representante da SESU
Representante da SETEC
Presidente da ABA
Representante da ANA
Representante da Coordenação do Evento
Representante dos Estudantes de Agroecologia

11:00 -12:00 – Conferência: A construção do conhecimento agroecológico -                                              Paulo Petersen – ANA/ABA
12:00 - 14:00 – Almoço
14:00 - 18:00 – Mesa Redonda 1: Complexidade, transdisciplinaridade e epistemologia da Agroecologia
- Pedro Demo (UnB) ou Alfredo Pena-Veja (Centro de Estudos Transdisciplinares da Ecole des Hautes Etudes en Scienses Sociales/França) ou José Francisco Pacheco (Escola da Ponte)
- Américo Sommerman (CETRANS) ou Maria Cândida Moraes (PUC/Brasília-DF)
- João Carlos Costa Gomes (Embrapa Clima Temperado) ou Sérgio Martins (UFSC)

Noite Cultural

2º Dia – 05/12/2012

8:30 -12:00 –  Mesa Redonda 2 – Formação e perfil profissional em Agroecologia
- Santiago Sarandon - Universidad Nacional de La Plata/Argentina
- Sônia Bergamasco - UNICAMP
- Eli Lino de Jesus - IFSUDESTEMG, Rio Pomba ou Valdo José Cavalet - UFPR
- Roseli Salete Caldart -MST ou Mônica Molina - UnB
12:00 - 14:00 – Almoço
14:00 - 18:00 – Grupos Temáticos

Noite Cultural/livre

3º Dia – 06/12/2012

8:30 - 12:00 – Grupos de Trabalho
12:00 - 13:30 – Almoço
13:30 - 16:30 – Plenária
16:30 – 17:00 - Plenária final
17:00 – Encerramento

Datas importantes

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